Festas Juninas ligadas às tradições católicas são uma das representações culturais brasileiras mais tradicionais

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Conheça a origem das festas juninas e o rico conteúdo cultural das festividades

Comemoradas tradicionalmente durante o mês de junho, por isso o nome “festas juninas”, os festejos estão diretamente relacionados às festividades pagãs realizadas na Europa no solstício de verão, que ocorre em junho no Hemisfério Norte, nos rituais dos antigos povos germânicos e romanos. Os povos que habitavam as regiões campestres, na antiguidade ocidental, prestavam homenagens a diversos deuses aos quais eram atribuídas as funções de garantir boas plantações, boas colheitas, fertilidade etc. Geralmente, tais ritos (que possuíam caráter de festividade) eram executados durante a passagem do inverno para o verão, que, no centro-sul da Europa, acontece no mês de junho.

Na transição da Idade Antiga para a Idade Média, com a cristianização dos romanos e dos povos bárbaros e sua consolidação na Europa, a Igreja Católica, como principal Instituição do período medieval, soube também diluir o culto aos deuses pagãos do período junino e substituí-los pelos santos, as festividades foram incorporadas ao calendário festivo do catolicismo, para homenagear santos populares, como Santo Antônio, São João e São Pedro, sendo comemorados e celebrados na memória litúrgica da Igreja Una Santa Católica Apostólica Romana, nos dias 13, 24 (vale citar que no dia 23, celebra-se a Missa da Vigília) e 29 de junho, respectivamente. A religiosidade popular absorveu de forma muito profunda essa mistura das festividades pagãs com a doutrina cristã. Nas regiões do Sul da Europa, sobretudo na Península Ibérica, onde o catolicismo desenvolveu-se com muita força no fim da Idade Média, essas tradições tornaram-se plenamente arraigadas.

Celebrando os santos católicos

Santo Antônio – 13 de junho

Para seguir a ordem cronológica das festas, pode-se começar por Santo Antônio. Ele nasceu em Lisboa, em data incerta, entre 1190 e 1195. Seu nome de batismo era Fernando. Pertencia a uma família de posses, chamada Bulhão ou Bulhões. No entanto, abdicou da riqueza por volta de 1210, ingressando na ordem dos franciscanos.

Seguiu para o atual Marrocos para desenvolver trabalho missionário, mas sua saúde não se adaptou ao clima africano. Adoeceu e regressou à Europa, fixando-se na Itália. Lá, demonstrou grande talento para a oratória, o qual desenvolveu praticando ao máximo durante nove anos.

Possuía grande conhecimento da Bíblia e seus sermões impressionavam tanto os intelectuais quanto as pessoas simples. Alguns de seus escritos foram conservados e são conhecidos ainda hoje. Seu carisma conquistava multidões. A saúde, porém, continuava frágil e ele morreu com cerca de 35 anos, em 13 de junho de 1231, sendo canonizado no ano seguinte. Está enterrado em Pádua (Itália) e sobre seu túmulo ergueu-se uma basílica, que é lugar de grande peregrinação.

São João Batista – 24 de junho

Em geral, os dias consagrados aos santos são aqueles em que eles morreram. No caso de São João Batista, acontece o contrário: comemora-se o seu nascimento, que teria sido em 24 de junho de ano desconhecido. João Batista foi profeta e precursor de Jesus Cristo. Era filho de Zacarias, um sacerdote de Jerusalém, e de Isabel, parente da mãe de Jesus.

João apareceu como pregador itinerante em 27 d.C. Aqueles que confessavam seus pecados eram por ele lavados no rio Jordão, na cerimônia do batismo. Atualmente, Israel e a Jordânia disputam a posse do local exato do rio onde São João batizava, já que isso atrai uma imensa quantidade de peregrinos e turistas.

João teve muitos discípulos e batizou o próprio Jesus. Porém, logo depois, foi atirado na prisão por haver censurado o rei Herodes Antipas, quando este se casou com Herodíades, a mulher de seu meio-irmão.

De acordo com a Bíblia, Herodes prometeu à jovem Salomé, filha de Herodíades e execelente dançarina, o que ela lhe pedisse, depois de tê-la visto dançar. Instigada pela mãe, Salomé pediu a cabeça de João Batista, que lhe foi entregue numa bandeja. O episódio teria ocorrido em 29 d.C.

São Pedro – 29 de junho

São Pedro também tem parte de sua vida registrada pelo Novo Testamento. Era um pescador no mar da Galiléia, casado, irmão de Santo André. Juntamente com este, foi chamado por Cristo para tornar-se “pescador de homens”. Seu nome original era Simão, mas Jesus deu-lhe o título de Kephas, que, em língua aramaica, significa “pedra”, e cujo equivalente grego tornou-se Pedro.

O nome se origina quando Simão declarou “Tu és Cristo, o filho de Deus vivo”, ao que Jesus respondeu “Tu és Pedro e sobre essa Pedra edificarei minha Igreja”, entregando-lhe as “chaves do reino do Céu” e o poder de “ligar e desligar”. Os evangelhos dão testemunho da posição de destaque ocupada por Pedro entre os discípulos de Jesus. No entanto, mesmo assegurando que jamais trairia Cristo, negou conhecê-lo por três vezes, quando seu mestre foi preso. Após a ressurreição, Pedro foi o primeiro apóstolo a quem Cristo apareceu e, depois disso, ele se tornou chefe da comunidade cristã.

A tradição, que não está relatada explicitamente no Novo Testamento, conta que Pedro teria sido crucificado em Roma. O fato tem sido muito questionado, mas as pesquisas arqueológicas têm contribuido para confirmar a tradição, deixando claro que Pedro foi martirizado a mando de Nero.

Conta-se que ele pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, para não igualar-se a Jesus. No local onde foi sepultado, segundo a tradição, ergueu-se a basílica do Vaticano, mas as escavações feitas no local não são conclusivas quanto ao fato de ali ser ou não o túmulo do santo.

Quo vadis?

Das várias histórias que surgiram em torno de São Pedro, uma delas conta que o santo, fugindo da perseguição, estava deixando Roma, quando encontrou-se com Cristo e perguntou-lhe: “Onde vais, Senhor?” (em latim, Quo vadis, Domine?). Jesus disse que voltava para Roma, onde seria novamente crucificado. Pedro então voltou para Roma e acabou martirizado.

Este episódio deu origem ao romance “Quo Vadis”, do escrito polonês Henrik Sienkiewicz, Prêmio Nobel de 1905, adaptado pelo cinema norte-americano num filme de 1951, dirigido por Mervin LeRoy, que se tornou um clássico de Hollywood.

Para encerrar, uma curiosidade linguística. Você sabe o que significa comemoração? Comemorar, junta o prefixo latino “co” (uma redução de “com”) com “memorar” que significa trazer à memória, lembrar. Ou seja, trata-se de lembrar com os outros alguma pessoa ou fato importante para a comunidade.

Origem das Festas Juninas no Brasil

Com a colonização do Brasil pelos portugueses a partir do século XVI, as festividades juninas aqui foram se estabelecendo, sem maiores dificuldades, e ganhando um feitio próprio. Na época, a honraria aos três santos juninos era marcada por procissões, missas, danças e comemorações populares.

As comemorações das festas juninas no Brasil, além de manterem as características herdadas da Europa, como a celebração dos dias dos santos, também foram influenciadas pelas tradições indígenas e afro-brasileiras, incorporando elementos culturais locais, elementos típicos do interior do país e de tradições sertanejas, forjadas pela mescla das culturas africana, indígena e europeia.

A cultura indígena contribuiu com elementos como o uso de fogueiras e rituais relacionados à agricultura e à fertilidade, conversando com os elementos pagãos europeus que ainda eram encontrados nas manifestações populares.

Já a influência africana trouxe as danças, músicas e instrumentos típicos, como o tambor e a zabumba, que se tornaram parte essencial das festas juninas brasileiras contemporâneas.

Sendo assim, religiosidade cristã, vestuário, comidas típicas, danças, músicas das festividades, tudo isso reflete milênios de tradições culturais diversas que se fundiram.

Festa Junina nos Dias de Hoje

Atualmente, as Festas Juninas são celebradas em todo o país, em diferentes proporções e estilos. Grandes eventos são realizados em algumas cidades, como Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, que abrigam os maiores e mais famosos São João do Brasil. Também acrescenta-se o Rio de Janeiro, que apesar da sua nítida ligação com o Samba, é referencia quando se trata de festejos juninos, outras cidades brasileiras entram nesta lista, Aracaju, Sergipe, Mossoró, Rio Grande do Norte, São Luís, Maranhão, Ceilândia, Distrito Federal, Corumbá, Mato Grosso do Sul e São Paulo, São Paulo.

Campina Grande- Paraíba

Campina Grande é famosa por sediar o “Maior São João do Mundo”. Durante todo o mês de junho, a cidade se transforma em um grande arraial, com uma programação intensa de shows, quadrilhas juninas, barracas de comidas típicas e muita animação. O Parque do Povo é o epicentro da festa, com seus palcos gigantes e artistas renomados se apresentando todas as noites. Os visitantes também podem apreciar a criatividade das decorações e a beleza das roupas típicas. É uma experiência única para vivenciar a cultura nordestina.

Caruaru-Pernambuco

Conhecida como a “Capital do Forró”, Caruaru atrai milhares de pessoas durante o período junino. A cidade realiza o São João de Caruaru, uma festa de grande magnitude que celebra a tradição e a cultura nordestina. Os festejos incluem shows de artistas renomados, apresentações de quadrilhas, feira de artesanato, comidas típicas e a famosa quadrilha “Gonzagão”. Além disso, o Alto do Moura, bairro conhecido por suas cerâmicas e esculturas, ganha vida durante o São João, oferecendo uma experiência única aos visitantes.

Além disso, igreja, escolas e comunidades organizam suas próprias festas juninas, repletas de alegria e animação.

No entanto, é importante destacar que, assim como outras festividades populares, a festa junina também passou por adaptações ao longo dos anos para se adequar às mudanças sociais e culturais. Hoje em dia, é comum encontrar elementos contemporâneos incorporados às festas, como shows de música ao vivo, apresentações de artistas famosos, parques de diversões e até mesmo atrações temáticas.

Além disso, a festa junina ganhou visibilidade fora do Brasil e atrai turistas de diferentes partes do mundo. A riqueza cultural e a atmosfera festiva da festa junina encantam visitantes, que têm a oportunidade de vivenciar de perto essa tradição brasileira única.

Podemos desfrutar da religiosidade cristã, das danças animadas, das comidas deliciosas e da atmosfera festiva, mas também podemos refletir sobre a história e a significância cultural por trás dessas festividades.

Que as Festas Juninas continuem a iluminar as noites de junho, julho e agosto, aquecer os corações com alegria e unir pessoas em torno de suas tradições. Viva as Festas Juninas, viva a Cultura Brasileira!

Símbolos da Festa Junina

A Festa Junina é uma das principais festividades brasileiras. Ao longo do tempo, a Festa Junina assumiu uma estrutura específica, tradicional em nossa cultura, e alguns símbolos. Esses símbolos partiram da influência religiosa que norteia a festividade, e também da relação entre a festividade e as zonas rurais.

Excluindo as particularidades que a celebração pode ter nas diferentes regiões brasileiras, alguns símbolos tradicionais encontrados nas Festas Juninas do Brasil são:

– bandeirinhas, que decoram a festa: Esse item decorativo tem relação com três santos que são homenageados durante a Festa Junina: Santo Antônio, São João e São Pedro. As bandeirinhas são associadas com eles porque houve um tempo em que as imagens dos santos eram penduradas ao lado delas.

– fogueira, que tem significado religioso: Há duas explicações para o uso de fogueiras. Os pagãos acreditavam que elas espantavam os maus espíritos. Os cristãos, por sua vez, as viam como sinal de bom presságio. Prova é a história de Isabel que, na ocasião do nascimento de João Batista, acendeu uma fogueira para avisar a novidade à prima Maria, mãe de Jesus. Por isso, a tradição é acendê-la na hora da Ave Maria (6 horas da tarde). Acredita-se que, quanto mais alta a fogueira, maior é o prestígio de quem a armou. Também há a tradição de se construir fogueiras diferentes para cada santo. Na de Santo Antônio, a lenha é disposta em forma de quadrado; na de São Pedro, de modo triangular; e na de São João, como uma pirâmide. Já os fogos de artifício, eram utilizados na celebração para “despertar” São João e chamá-lo para as comemorações de seu aniversário.

– roupas xadrez: As roupas xadrez são muitos comuns, sendo usadas por homens e mulheres, além do xadrez fazer parte da decoração de mesa, como nos forros. Isso acontece porque o xadrez em nosso país ficou muito associado com roupa usada no campo, sendo considerado um elemento caipira. O xadrez chegou ao Brasil no século XVIII, sendo muito popular na Escócia.

– comidas típicas: Na alimentação, quando falamos de Festa Junina, estamos falando de fartura. Toda Festa Junina é marcada por abundância de comida, com destaque para os alimentos feitos de milho e amendoim, muito tradicionais na alimentação dos brasileiros. Itens como pamonha, paçoca, milho assado, canjica, pé de moleque e muitos outros são parte dos alimentos comuns nessas festas.

– ritmos musicais, sobretudo o forró, baião, xaxado, xote, moda de viola e o sertanejo caipira: Nos ritmos musicais, o forró e o sertanejo se destacam como os mais ouvidos nas Festas Juninas. No Nordeste, o forró é o ritmo tradicional, e, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o sertanejo é mais popular. Como o forró é bastante tradicional no Nordeste, a dança também é presença marcante nas celebrações que acontecem nessa região.

O Forró é um ritmo resultado de uma mescla de diversos ritmos tradicionais nordestinos, tais como baião, xaxado, xote, dentre outros. A origem do termo é incerta: uma das versões remete ao termo de origem africana “forrobodó”, que significa “desordem, troça, farra, confusão”. O uso desse termo, de acordo com a Enciclopédia de Música Brasileira, se deu na segunda metade do século XIX. Outra versão seria a expressão do inglês “For All”, (em tradução literal, “para todos”) escrita nas placas que indicavam os bailes dos ingleses em Pernambuco. Esse forró foi o precursor do atual.

Junto ao forró, este estudo também lista o baião, o xaxado e o xote, tendo dois grandes músicos transitaram por esses ritmos, sendo seus grandes estudiosos: Luiz Gonzaga, pernambucano, e Jackson do Pandeiro, paraibano. Ambos foram os principais responsáveis pela divulgação do forró e de seus variantes.

A institucionalização do Nordeste enquanto região tem muito a oferecer para a compreensão da importância do forró, como parte da identidade e da cultura nordestinas. O discurso cultural, aliás, foi bastante utilizado pelas classes dominantes, o que fez com que houvesse essa busca por raízes culturais que unissem o povo do Nordeste. O próprio sucesso do forró não só no Nordeste, quanto nas outras regiões do país, o modo como se alastrou e se inseriu na própria indústria cultura, se deveu à situação econômica e social do Nordeste em si, com as épocas de seca e o deslocamento da importância econômica para o Sudeste e o Sul, tendo como consequência grandes migrações para essas regiões.

Deve-se observar que o forró serve então como elo entre a tradição e o moderno, respectivamente, o rural e o urbano. Entre as décadas de 1940 e 50, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro ajudam na construção das tradições nordestinas e da imagem do sertão nordestino, com temáticas rurais, nostálgicas, como um modo de confortar a saudade do migrante. O sucesso do forró, que aos poucos passa a ser disseminado pelas rádios, faz a ligação entre o Nordeste e o Centro-Sul, e o país passa a conhecer mais da realidade nordestina.

A partir da década de 1960, o forró perde espaço para a Bossa Nova, retornado em 1970 com novos recursos sonoros e novas temáticas, menos rurais e sertanejas, indicando a transição para o meio urbano, tendo como principal representante Dominguinhos. Há também o início da 1ª fase do chamado forró universitário, com Alceu Valença, Gonzaguinha, Elba Ramalho, Fágner, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, dentre outros que possuíam uma matriz tradicional do forró.

O forró eletrônico, também denominado “oxente music”, como autoexplica o nome, tem características eletrônicas, um ritmo mais acelerado e coreografias mais sensuais, isso já na década de 1990, quando ocorrem mudanças estruturais, aumento de integrantes nas bandas, substituição do tradicional trio “sanfona, zabumba e triângulo” por teclados, guitarras, saxofones, bateria. A banda Mastruz com Leite ainda conseguiu realizar a transição do forró de Luiz Gonzaga e o forró eletrônico, de acordo com as exigências do mercado fonográfico, porém ainda ligado ao estilo tradicional; outros expoentes foram Rita de Cássia e Luís Fidélis. Já a 2ª fase do forró universitário se dá ao final da década de 1990, com influências de outros ritmos, como o reggae, rock, jazz, salsa, dentre outros, tendo sido muito criticado pelos seguidores da tradição gonzaguiana, assim como o forró eletrônico, por esse afastamento das temáticas tradicionais. O surgimento do Falamansa, do Trio Virgulino, do Bicho de Pé, fizeram ressurgir o forró tradicional.

BAIÃO

O baião nordestino é originado de um tipo de batida à viola denominado de baião, que, provavelmente, era uma forma dos violeiros tocarem os lundus na zona rural nordestina, onde estes eram conhecidos como “baiano”. A paternidade do ritmo é requerida por dois nomes: Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. O primeiro, aliás, admite a pré-existência do baião, porém como uma forma de introdução da “cantoria”, algo de origem mais próxima do rural, presente no folclore baiano. Ainda há a influência do “balanceiro”, que tinha o maestro Lauro Maia como expoente.

De qualquer forma, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira são quem, de fato, estilizam o baião, que passa a ser consumido e difundido pelas rádios, com destaque para a música “Baião”, de 1946. O ritmo em si ganhava espaço nas décadas de 1940 e 50, num momento em que o samba já incorporava elementos estrangeiros em sua estrutura, o que o distanciava das camadas populares migrantes do Nordeste. O sentimento nacionalista da época, incentivado pelo governo Vargas, exaltava os elementos do nacionalismo brasileiro (e, por conseguinte, da cultura brasileira), o que impulsionou muito a aceitação dentre os migrantes.

Isso fez com que o baião não alcançasse horizontes muito distantes fora do país, com exceção à música “Delicado”, de Waldir Azevedo, que chegou a quebrar recordes de vendas e sucesso no exterior. O surgimento contemporâneo do rock de Elvis Presley e a força da indústria estadunidense de disco foram também motivos disso.

 Com o passar do tempo, os esforços de Humberto Teixeira e do próprio Luiz Gonzaga em manter o baião não evitaram sua queda ao ostracismo, até os rumores de uma possível releitura de “Asa Branca” pelos Beatles alavancarem novamente o “rei do Baião” ao sucesso.

XAXADO E XOTE

O xaxado e o xote, dois estilos de dança e de música bastante tradicionais no Nordeste, se confundem muito com a história do baião e do forró, tendo presentes elementos semelhantes entre si, além de um significado folclórico e cultural marcante, e de um grande expoente em comum: Luiz Gonzaga, que foi não só músico como também assíduo pesquisador de tais estilos.

XAXADO

O Xaxado é um ritmo e, ao mesmo tempo, uma dança, cuja origem se dá no interior do Estado de Pernambuco, com referências à cidade de Serra Talhada, no início do Século XX, a qual teve o xaxado reconhecido patrimônio cultural e imaterial no ano de 2014.

Sua “paternalidade” é controversa dentre autores sobre o assunto, podendo ser uma adaptação de danças portuguesas, danças indígenas, ou até criação dos cangaceiros, especialmente o grupo de Lampião. De qualquer modo, estes últimos foram os maiores responsáveis pela divulgação do xaxado, servindo-se dele como um grito de guerra, com muitos insultos a inimigos de luta, ou como um rito de celebração de suas vitórias. Muito em virtude de ser uma dança cangaceira, o xaxado era inicialmente voltado apenas para os homens, que faziam de seus rifles as “damas” do par (isso mudaria tempos depois, com a inserção das mulheres no cangaço, tendo Maria Bonita como exemplo), portanto não sendo considerada por muito tempo uma dança de salão.

A etimologia do nome “xaxado” também possui versões alternativas: a primeira seria devido ao som onomatopeico das alpercatas dos dançarinos, quando arrastas no chão durante a dança, enquanto que a segunda seria pela movimentação dos pés dos agricultores, que munidos de enxadas, sacham os grãos de feijão juntando a terra.

Os instrumentos mais comumente utilizados na execução das músicas de xaxado são o pífano, o triângulo, a zabumba e a sanfona.

Atualmente destacam-se grupos de dança que divulgam o xaxado, como o grupo Xaxado Novo, que faz uma releitura do estilo com elementos da cultura árabe.

XOTE

O Xote é um estilo de dança cadenciado, cujo ritmo nasce na Alemanha, com o nome “Schottisch”, traduzido como “escocesa”. Embora não haja nenhuma relação com a Escócia, o nome vem da impressão dos alemães acerca da polca escocesa.

A dança chegou no Brasil na metade do século XIX, sendo difundida pela aristocracia, e logo caiu no gosto dos escravos, que foram modificando aos poucos a dança original, acrescentando novos gingados, novas flexibilidades nos passos e movimentos, tendo se associado ainda ao baião, já no começo do século XX, no Nordeste brasileiro, priorizado nesta pesquisa, uma vez que há também o xote gaúcho. Percebem-se também influências do mambo, da salsa e da rumba no ritmo do xote.

Na instrumentalização é forte a presença de rabecas, violas, pandeiro e triângulo, além do vocal e da sanfona.

Há algumas variações do xote, como o xote bragantino (que surgiu pela Irmandade de São Benedito, na cidade de Bragança, Pará), o xote de duas damas, no qual o homem dança com duas mulheres (se aproximando das características alemãs do estilo), e o xote carreirinha, no qual os casais correm no mesmo rumo (sendo este xote mais comum na região Sul do Brasil). Por ser um estilo mais lento, o xote é descrito como uma dança mais romântica, onde prevalece o chamego, uma paquera; é uma dança mais calma.

Alguns de seus principais expoentes são as bandas Rastapé e Falamansa; a Rastapé tem origem no chamado forró universitário, de origem do ano de 1999, tendo como referências Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, dentre outros; a Falamansa, de 1998, contemporânea da Rastapé, também é contemplada no estilo forró universitário, cantando músicas nordestinas de raiz. É interessante observar o surgimento dessas bandas em São Paulo, notando a presença da cultura nordestina fora do próprio Nordeste, além da inserção na indústria cultural com o forró em alta na metrópole na década de 1990. Outro grande expoente foi Dominguinhos, natural de Garanhuns, que além de Luiz Gonzaga, também tinha influência de Orlando Silveira, além de uma vasta formação musical em estilos brasileiros como choro, bossa nova, além do jazz.

Nota-se então como se dá a intersecção tanto do xaxado quanto do xote, como ritmos que fazem parte do forró, tal qual o baião.

– quadrilha, uma das danças mais tradicionais da festa: É carregada de referências do que vulgarizou-se chamar de caipira e matuta. Mas sua origem vem de muito longe. A “quadrille” surgiu em Paris, no século XVIII, como uma dança de salão composta por quatro casais. Era dançada pela elite europeia e veio ao Brasil durante o período da Regência, por volta de 1830, tornando-se febre no ambiente aristocrático.

Da corte carioca, a quadrilha acabou caindo no gosto do povo. Ao longo do século XIX, a dança se popularizou, se se fundiu com manifestações brasileiras. O povo estilizou a dança dos nobres. Outras evoluções foram criadas, aumentou o número de pares dançantes e ficaram de fora os passos e os ritmos franceses. Ao longo dos anos, incorporaram-se novas músicas e o casamento. Restaram bem poucos resquícios franceses, talvez apenas nos comandos do marcador, dados num francês abrasileirado.

Hoje, as quadrilhas são danças das periferias urbanas. Predominam nas cidades grandes, ondem existem comunidades quadrilheiras, semelhantes às das escolas de samba. As apresentações já não se restringem apenas aos meses de junho. Os grupos circulam pelo Brasil ou fora do país, participam de concursos. Tornou-se uma forma de agregação e sobrevivência, gerando empregos para figurinistas, costureiras, aderecistas, cabeleireiros, músicos, compositores, atores, atrizes, bailarinos, coreógrafos, revelando e promovendo talentos.

Há grupos com seus próprios compositores, que criam as músicas para cada ano. Mais do que arte e dança, as quadrilhas juninas se tornaram expressão de cultura popular, revelando protagonistas dentro das comunidades.

A cidade passou a dar o tom, o apito, a zueira, o sotaque, a ginga, a velocidade e o nervosismo das quadrilhas e festas juninas. De Teresina a Brasília, Cuiabá a Salvador, Rio de Janeiro a Aracajú, Manaus a Recife, a ordem é acelerar a marcha.

Preservando a Tradição

Apesar das mudanças e adaptações, é fundamental preservar as raízes e a essência das Festas Juninas. A tradição, a história e a cultura por trás dessas festividades devem ser valorizadas e transmitidas às gerações futuras.

Para isso, é importante que instituições de ensino, autarquias, secretarias de educação, cultura e turismo, mantenham, preservem, incentivem e promovam as Festas Juninas, abordando tanto os aspectos históricos quanto as manifestações culturais envolvidas. Além disso, é essencial incentivar a participação das comunidades locais, promovendo eventos que valorizem as tradições regionais e estimulem a preservação das danças, das comidas típicas e das vestimentas tradicionais.

As Festas Juninas são muito mais do que uma simples celebração. Elas representam a identidade e a diversidade cultural do povo brasileiro, reforçando os laços de comunidade, resgatando tradições ancestrais e promovendo a alegria e o convívio social.

Conclusão

Portanto, ao participar das Festas Juninas, esteja ciente de que você está vivenciando uma tradição com séculos de história, permeada de significados e simbolismos. É um momento de celebração, união e alegria, uma festividade que nos conecta com suas raízes históricas profundas e suas tradições culturais enraizadas, que se tornou um símbolo da identidade nacional e uma oportunidade para celebrar as riquezas e diversidades do Brasil.

Podemos desfrutar da religiosidade cristã, das danças animadas, das comidas deliciosas e da atmosfera festiva, mas também podemos refletir sobre a história e a significância cultural por trás dessas festividades.

Que as Festas Juninas continuem a iluminar as noites de junho, julho e agosto, aquecer os corações com alegria e unir pessoas em torno de suas tradições. Viva as Festas Juninas, viva a Cultura Brasileira!

Fontes de pesquisa:

CNBB

ArqRio

Canção Nova

Brasil Escola

National Geographic Brasil

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