Movimento Black Rio torna-se Patrimônio Cultural Imaterial do Rio

Por redação

Valorizar a história da cultura negra. Com esta intenção, o deputado estadual Waldeck Carneiro (PT/RJ) viabilizou o Projeto de Lei nº 4392/2018, aprovado hoje (06/11) pela ALERJ em segunda discussão, que declara o Movimento Black Rio como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. “O movimento surgiu com a intenção de desenvolver uma geração que tinha pouco acesso à cultura à época. O Black Rio merece ser colocado no seu devido lugar na história cultural do Estado do Rio de Janeiro por sua contribuição para a formação de uma geração que tinha opções de lazer restritas”, disse Waldeck sobre o PL, que foi à sanção do Governo do Estado.

No final dos anos 60 do século XX, a juventude pobre das periferias do Rio de Janeiro realizava, nos finais de semana, festas nas varandas de suas casas para ouvir música, dançar e se divertir. Na medida em que essas festas foram crescendo, surgiu a necessidade de ocupação de espaços maiores. Em principio, pequenos clubes foram usados e, o que neles era conhecido como “Hi-Fi”, virou baile. O equipamento “três em um” saiu de cena e entraram as caixas de som feitas em fundo de quintal; a vitrola que tocava até dez discos foi substituída por um par de toca-discos e a figura do discotecário passou a ocupar um espaço privilegiado nos pequenos palcos dos clubinhos do subúrbio.

No dia 11 de novembro de 1969, aconteceu, no Clube Astória, o primeiro baile em que o discotecário tocou apenas músicas cantadas por artistas negros. O baile de 11 de novembro de 1969, realizado pelo jovem Ozéas Moura dos Santos, foi a pedra fundamental do que se tornaria o Movimento Black Rio. Surgia ali o embrião do que viria a ser denominado “Movimento Black Rio”. Como um incêndio apagado por gasolina, esse formato de baile se espalhou por todo o Rio de Janeiro e, nos anos 70, no auge do regime militar, sob os coturnos da ditadura, milhares de jovens negros e pobres passaram a seguir as suas equipes de som em busca de diversão, conhecimento e também de uma identidade cultural que, mesmo reprimida, começava a transparecer nas suas atitudes, nas suas vestimentas, no seu estilo jovem negro de ser.

  

Os bailes de fim de semana reuniam milhares de jovens nos lugares mais longínquos do Rio de Janeiro. Equipes de som, como Tropa Bagunça, Uma Mente Numa Boa, Atabaque, Revolução da Mente, Cashbox, Soul Grand Prix, Black Power, A Cova, Furacão 2000, Dynamic Soul, entre tantas outras, foram fundamentais na formação cultural destes jovens. Big Boy, Cidinho Cambalhota, Messiê Limá e Ademir Lemos traziam as novidades em audiovisual dos Estados Unidos da América. No rastro do movimento, surgem nomes como Gerson King Combo, Tony Tonado, Carlos Dafé, Banda Black Rio, União Black e, então, a cena fica completa. A ditadura monitorava bailes, discotecários, produtores, artistas, em busca de uma explicação para o que acontecia naquelas manifestações da cultura negra.

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