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Manifesto Rede Carioca de Rodas de Samba

Por redação

O Portal de Notícias Sambrasil – Maior Portal de Notícias, Pesquisas e Referências sobre o Mundo do Samba, do jornalista Marcelo Faria, se solidariza com o movimento da Rede Carioca de Rodas de Samba e publica a sua carta Manisfesto.

A Rede Carioca de Rodas de Samba – RS é um movimento independente! Foi pensado e criado por Sambistas em 2014 com o objetivo de preservar e promover as Rodas de Samba como Patrimônio Cultural e ativo econômico da Cidade.

Desde então, a RS vem provocando as autoridades públicas (municipal, estadual e federal) sobre a importância das rodas de samba para o desenvolvimento humano e econômico da cidade. Entendemos que o Direito à Cultura é um direito básico e essencial! Por isso, a RS sempre se colocou disposta a dialogar, propor e cobrar ações e políticas públicas voltadas ao fortalecimento das rodas de samba, principal expressão da nossa cultura popular. A criação do Programa de Desenvolvimento Cultural Rede Carioca de Rodas de Samba, através do decreto nº 41.036, é fruto dessa luta e representa uma conquista das e para as rodas de samba na Cidade. Desde sua origem com 16 rodas, a RS tem atuado no mapeamento das necessidades das rodas de samba e debatido soluções para o uso responsável e organizado dos espaços públicos da cidade. A ocupação cultural e festiva das praças e ruas da cidade é parte fundamental do estilo de vida carioca e não vamos abrir mão disso!

 

As Rodas de Samba são espaços de cultura viva! Contam a história da nossa Cidade da perspectiva da nossa rica herança africana! Identificam e projetam a cidade no cenário cultural nacional e internacional, atraindo turistas e movimentando a economia durante o ano inteiro. A pesquisa inédita realizada pela RS em 2016 demonstrou o enorme potencial econômico da cadeia produtiva das rodas de samba na cidade. Por mês, mobilizamos mais de 20 mil pessoas pelas mais de 100 rodas de samba existentes em todos os cantos da cidade. Movimentamos mais de 1,5 milhões de reais gerando empregos diretos e indiretos, e criando oportunidades de trabalho para diferentes segmentos da economia cultural-criativa: expositores de artigos de moda, gastronomia, fotografia, artesanatos etc. As Rodas são realizadas de janeiro a janeiro, preservando as tradições e nossas heranças ancestrais por meio do principal ativo cultural do Brasil: o SAMBA!

 

No último mês, notícias de acontecimentos relacionados à cena cultural na Cidade atingiram diretamente o Samba, e nos chamaram atenção para a reflexão sobre qual Projeto de Cidade nos foi proposto, e aceito, no final do ano passado. O que esperar de um Programa de Governo que não trata a Cultura como prioridade para o desenvolvimento socioeconômico da cidade?

 

1) A descontinuidade de projetos culturais estruturantes na cidade com argumentos populistas? 2) O não cumprimento de acordos personificando a responsabilidade institucional que é do município? 3) A declaração de um vereador, da base aliada, que ironiza as religiões de matrizes africanas e pede a PRIVATIZAÇÃO do Carnaval?

 

Sem dar nome aos bois e entrar nos méritos das questões, pontuamos as discussões para mostrar que não são fatos isolados. Vivemos hoje num cenário político e econômico de incertezas e falta de credibilidade. No plano Estadual e Federal as crises, política e econômica, oriundas da corrupção paralisaram as pastas da Cultura e Direitos Humanos transformando-as em peças decorativas. Tudo isso nos obriga a refletir sobre o que está realmente em jogo. Não nos parece ser apenas um Projeto de Cidade, mas sim um Projeto de Estado e de País que serão definidos no próximo ano e que caminham na direção de interesses unilaterais de princípios conservadores.

 

Entendemos e apoiamos a regulamentação do espaço público de forma inteligente, que proteja a cidade da exploração comercial de fim particular e fortaleça os patrimônios culturais existentes, mas não aceitaremos retrocessos nas políticas públicas de cultura. O Samba é uma expressão cultural centenária, de influência africana, que durante muito tempo foi perseguido por sua origem. As Rodas de Samba são guardiãs das Matrizes do Samba no Rio de Janeiro. São fundamentais para a preservação do Partido Alto, do Samba Enredo e do Samba de Terreiro como Patrimônio Cultural Imaterial, titulado pelo IPHAN, e precisam ser respeitadas. Precisamos criar alternativas que protejam esse patrimônio dos interesses econômicos e da burocracia do estado. Nossos mestres e mestras do SAMBA estão morrendo sem o devido reconhecimento, vítimas de um racismo institucionalizado no poder público e na iniciativa privada. Dedicaram a vida ao Samba compondo, produzindo e se apresentando, e mesmo assim suas famílias hoje passam por dificuldades.

 

Precisamos de Leis e ações de Salvaguarda para as Matrizes do Samba no Rio de Janeiro e os detentores desse saber. Uma Lei que regulamente as Rodas de Sambas como Patrimônio Cultural Carioca e fomente suas realizações como estratégia de desenvolvimento socioeconômico na cidade. Precisamos de representantes, em todos os espaços de poder, mas que sejam sambistas de alma, formação e princípios, que tenham a nossa cor, a nossa origem e entendam as Rodas de Samba como expressões culturais suprapartidárias, sustentáveis, que unem a cidade em toda a sua diversidade. Elementos de transformação social e desenvolvimento econômico, durante o ano todo, em vários cantos da cidade e, por isso, merecem ser tratadas de forma diferenciada, com apoio da sociedade civil, do poder público e da iniciativa privada.

 

Nós estamos nas ruas, nas casas, nas universidades e nas mídias. Somos do Partido Alto e somos a maioria. Respeitem o Samba!

 

Rede Carioca de Rodas de Samba

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