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Cacique de Ramos completa 57 anos com grande comemoração em sua quadra

Por Marcelo Faria

Fotos e imagens: Julia Fernandes

Em tarde recheada de emoção pela comemoração dos 57 anos do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos, a família caciqueana estava em festa, com a quadra lotada e a participação no palco de vários sambistas, entre eles, Gilsinho da Portela, Renato da Rocinha, Gabrielzinho de Irajá, Chacal do Sax, Grupo Bate Fundo e o Fundo de Quintal.

A roda de samba começou com o grupo Voz Ativa e depois o Quinteto Cacique.

Conheça mais sobre a história do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos

Bloco carnavalesco originário do subúrbio carioca de Ramos, zona da Leopoldina, tendo como padroeiro São Sebastião. Fundado em 20 de janeiro de 1961 por três famílias: Ubirany, Ubiracy e Ubirajara Félix do Nascimento – Bira Presidente (família Périclés do Nascimento); Alomar, Jorginho, Mauro, Walter Oliveira (Walter Tesourinha) barbeiro por profissão, e sua irmã Chiquita e Jelsereno de Oliveira – sereno (família Oliveira); Aymoré do Espírito Santo e Conceição do Espírito Santo (família Aymoré).

Desfile de 1978

Em sua fundação o bloco chamava-se Homens das Cavernas, mas logo depois o nome foi alterado para Cacique de Ramos. Outras pessoas importantes na fundação e nas apresentações foram Mestre Dinho do Apito, diretor de bateria e Conceição de Souza Nascimento (mãe de Bira Presidente e Ubirany e filha espiritual de Mãe Menininha do Gantois), que preparava todo o lado espiritual dos componentes do grupo através de preceitos e patuás. A própria Mãe Menininha do Gantois foi quem abençoou e fez um trabalho nos pés da tamarineira (árvore em torno da qual aconteciam as famosas rodas de sambas da agremiação). O bloco não tem samba-enredo e temas desenvolvidos pelos compositores. Em 1962, o tema do desfile foi “Água na boca”, samba de autoria de Agildo Mendes, que se tornou o hino do bloco. Outros temas foram “Arco e flecha” e “Querem me derrubar “, ambos de autoria de Chiquita; “Coisinha do pai”,  de Almir Guineto, Luíz Carlos e Jorge Aragão; “Vou festejar”, de autoria de Jorge Aragão, Dida e Neoci Dias; “Chinelo novo”, de (João Nogueira e Niltinho Tristeza). Mais tarde, vários desses sambas foram gravados com sucesso nas vozes de outros intérpretes da música popular brasileira. Por sua ala de compositores passaram Jorge Aragão, Niltinho Tristeza, João Nogueira, Dida, Neoci Dias, Almir Guineto, João Nogueira, Sereno, Agildo Mendes, Chiquita, Marcílio, Bira Presidente, Wastir e  Valdir.

Sua fantasia é composta das cores preta, branca e detalhes de cor vermelha, tendo como base a defesa e o resgate da cultura do índio brasileiro. Já pertenceram ao bloco Laudir de Oliveira (percussionista da banda de Sérgio Mendes); Marina Montini, que em 1965 ganhou o título de “Mulata IV Centenário do Rio de Janeiro” e, mais tarde, chegou à final do “Concurso Miss Guanabara”; Glória Maria (repórter da Rede Globo) foi a primeira princesa do bloco. No início da década de 1970 e parte da década de 1980, o “Pagode da Tamarineira”, realizado nas quartas-feiras na quadra do bloco, reunia diversos compositores e intérpretes, que mais tarde se tornaram artistas reconhecidos na MPB, tais como Jorge Aragão, Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Marquinhos Satã, Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz, Sombrinha, Sombra, Jovelina Pérola Negra, Pedrinho da Flor, Adilson Victor, Carlos Sapato e, na época, ainda crianças levadas pelos pais, Andrezinho do Molejo (filho de mestre André), Dudu Nobre (filho de João e Anita), Waguinho, Anderson do Molejo, que fugia de casa aos sete anos para assistir aos ensaios do bloco. Outra característica do grupo, que frequentava as rodas de samba da Tamarineira, foi a criação de novos instrumentos, entre eles o “Tantã”, por Sereno; o “banjo com braço de cavaquinho”, por Almir Guineto e o “repique de mão”, por Ubirany. No ínício da dpecada de 1970 o bloco chegou a desfilar com cinco mil participantes. No fim da década de 1970, Beth Carvalho, levada por Alcyr Portela, então presidente do Vasco, passou a frequentar o Pagode da Tamarineira. Logo se interessou em gravar alguns compositores que frequentavam às quartas-feiras a roda de samba. A cantora virou madrinha do bloco e do grupo Fundo de Quintal, composto por alguns desses compositores. Em sua primeira formação, o grupo era composto por Jorge Aragão, Almir Guineto, Sereno, Neoci Dias, Bira Presidente, Ubirany e Sombrinha. Conhecido até no Japão, assim como Estados Unidos e em vários países da Europa, o Bloco Carnvalesco Cacique de Ramos é um dos poucos que ainda desfila pelas ruas da comunidade da Leopoldina (Ramos, Olaria, Bonsucesso e adjacências). Suas antigas apresentações chegavam a levar para Praça Onze, Avenida Presidente Vargas e/ou Avenida Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro, mais de 10 mil componentes, entre eles vários turistas, que todo ano integravam as alas.

Em 2012 a quadra foi reinaugurada, na foto Bira mostra o livro do projeto da nova quadra.

Vários filmes e livros sobre o bloco foram produzidos, documentando as suas atividades. No ano 2001, o tema usado foi “Coisinha do pai”, uma das composições mais conhecidas do grupo, fazendo, a partir daí, com que o bloco reaparecesse com força total em desfile na Avenida Rio Branco, centro do Rio de Janeiro. No ano de 2010 foram iniciadas as comemorações dos 50 anos de fundação do bloco, comemorada em 20 de janeiro de 2011. A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro reformou a quadra do bloco, situada à Rua Uranos, em Ramos, reinaugurada em agosto de 2010 e foram inciadas as filmagens do documentário em longa-metragem com roteiro e direção de Chico Anysio e Eduardo Maruche. Neste mesmo ano de 2010 o bloco teve suas trajetória exposta na “29ª Bienal de São Paulo” através das lentes do fotógrafo Carlos Vergara. Para janeiro de 2011 está previsto um show reunindo várias personalidades e artistas que passaram e têm a trajetória artística ligada ao bloco, tais como Beth Carvalho, Almir Guinéto, Arlindo Cruz, Jorge Aragão.Com relação à história do bloco, citado em várias dissertações de mestrados e teses de doutorado, segundo Bira Presidente: “Além de Zeca Pagodinho, Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz, Beto Sem Braço e do Fundo de Quintal, por aqui passaram jogadores como Brito, Marco Antônio, Roberto Dinamite e Jairzinho. A Glória Maria (repórter da Rede Globo) foi a primeira princesa do Cacique e conseguiu seu primeiro emprego ao ir conosco ao Programa do Chacrinha. A Marina Montini, musa do Di Cavalcanti, também saiu do bloco. O Emílio Santiago começou a cantar na nossa quadra, às quartas-feiras. Ou seja, nenhuma entidade carnavalesca tem a nossa história”. Em 20 de janeiro de 2011 foi comemorada na quadra da agrermiação os 50 anos do bloco. Também foi rezada uma missa campal com a presença de vários artistas e personalidades ligadas à cultura do Estado do Rio de Janeiro. Logo após à missa deu-se inicio a uma roda de samba com Beth Carvalho, Dorina, Grupo Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Sombrinha, Aline Calixto, Jorge Aragão, Almir Guinteto, Zé Luiz do Império e Renatinho Partideiro, entre outros. Pouco dias após a festa de comemoração o jornal O Globo estapou uma longa matéria assinada por João Pimentel, na qual vários participantes da roda de samba da Tamarineira deram depoimentos inclusive ao Segundo Caderno do jornal. Segundo Arlindo Cruz: “A história do samba se divide antes e depois do Cacique de Ramos. A gente tinha a certeza de que o que acontecia ali era mágico, mas não sabíamos que iria ganhar essa repercussão. Eu me arrepiava com as harmonias do Aragão, com o banjo do Almir, com as letras do Luiz Carlos, com os versos do Neoci. Depois veio o Zeca com aquela luz toda… Eu rezava pra chegar logo a quarta-feira – era o dia mais feliz da minha vida. Ali todo mundo ensinava e aprendia”. O músico e compositor Sombrinha – outro ex-componente do grupo Fundo de Quintal – também deu depoimento sobre a festa ao jornalista João Pimentel, Segundo Caderno do jornal O Globo: “Sempre que atravessava aquele portão me arrepiava todo. Só depois vimos que ali rolava uma revolução melódica, poética e rítmica”.  O presidente vitalício do bloco, o compositor e cantor Bira Presidente também falou ao jornalista: “Meu pai era amigo de Donga, Pixinguinha, Cartola, João da Baiana, e essa sensibilidade estava impregnada na gente. Já a minha mãe tinha o lado espiritual. Então o Cacique foi criado para ser um lugar musical em que quem chegasse bem intencionado e tivesse um dom pudesse desfrutar dele”. E para finalizar a matéria o jornalista entrevistou Beth Carvalho que assim declarou: “Foi uma coisa espontânea, não pensei emm lançar fulano ou cicrano. Fiquei extasiada de ver aqueles talentos. Ao mesmo tempo em que tinham umas harmonias sofisticadas demais, tinha uma coisa quase tribal do batuque, instrumentos criados por eles. Só depois de um ano é que percebi que tinha de gravar aquela turma”. Ainda em 2011 o bloco recebeu a comenda “Medalha Tiradentes”, na ALERJ (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro”, em homenagem solicitada pelo Deputado Estadual Bebeto (ex-jogador da Seleção Brasileira da Seleção dos anos de 1994 e 1998). Em 20 de janeiro de 2012 o bloco completou 51 anos de existência e para a comemoração, na quadra da agremiação, foi tazida a imagem peregrina de São Sebastião do Rio de Janeiro, acompanhada do Arcebispo do Rio de Janeiro Dom Orani João Tempesta e sua comitiva, o qual rezou uma missa na quadra. No evento também foram homenageados os escritores Haroldo Costa e Ricardo Cravo Albin, que receberam diplomas de Bira Presidente, acompanhado de sua Diretoria e líderes das alas do bloco. A parte musical ficou por conta do cantor e compositor Renatinho Partideiro, que comandou a roda de samba com o Quinteto Cacique e várias participações especiais, entre as quais Andréia Café, Marquinhos PQD, Chiquinho Virgula, Bandeira Brasil, Malacacheta e Elymar Santos. Neste mesmo ano a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira desfilou tendo como tema a história do bloco. Ainda no carnaval de 2012 o bloco e sua história foram homenageados pela Banda de Ipanema, sendo o tema de desfile da tradicional banda carnavalesca da cidade do Rio de Janeiro, em convite feito por Claudio Pinheiro (líder da banda) a Bira Presidente (presidente do bloco).

BIIBLIOGRAFIA CRÍTICA:   ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira – Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006. AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014. FRAIHA, Sílvia e LOBO, Tiza Lobo. Ramos, Olaria & Penha – Coleção Bairro do Rio. Rio de Janeiro: Editora FRAIHA, Secretaria de Culturas Rio Arte, da Prefeitura do Rio de Janeiro, SESC Rio de Janeiro. S/D.

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